sábado, 2 de julho de 2011

ŌBAN STAR-RACERS







 A HISTÓRIA

Ano de 2082. A Terra é convidada para competir na Grande Corrida de Ōban, uma competição intergalática que garante ao vencedor realizar qualquer desejo.
O convite vem do Avatar, uma misteriosa entidade que encerra as hostilidades entre a Terra e os sinistros aleinígenas Crogs — desde que, em troca, a Terra participe da competição.
Eva, uma menina terráquea, escapa do internato onde estuda para encontrar seu pai, Don Wei, presidente da “Corridas Wei”, a quem não vê desde um trágico incidente do passado. Seu sonho de se sentir parte de uma família novamente, porém, cai por terra: seu pai não a reconhece e a trata como uma completa estranha quando a encontra. Sem coragem de contar quem realmente é, ela passa a trabalhar para seu próprio pai, como mecânica, sob o falso nome de “Molly.”
Quando a Corridas Wei recebe ordens do governo para representar a Terra na Grande Corrida de Ōban, Molly embarca cladestinamente para chegar até o planeta distante.
Assombrada por um terrível passado e o difícil reencontro com seu pai, Molly está determinada a vencer para fazer sua família feliz novamente.

 BASTIDORES


Ōban Star-Racers é o resultado de quase dez anos de luta e esforço da equipe do estúdio francês SAV! The World. Segundo o criador da série, Savin Yeatman-Eiffel (bisneto do arquiteto que criou a torre Eiffel!), o projeto remonta a 1997, quando Savin começou a escrever roteiros para desenhos animados e começou a reparar na falta de exigência dos canais quanto a qualidade do material que exibiam.
Imaginando como seria criar um desenho com identidade francesa, mas sob influência dos animes que  costumava assistir quando criança, tais como Captain Harlock e Candy Candy, e as temáticas adultas e aprofundadas dos relacionamentos humanos que costumava ver neles, a ideia de Ōban começou a nascer na cabeça de Savin. A partir de esboços que ele e seus amigos faziam de pilotos aleatórios, eles analisavam quais tinham potencial para virar personagens fixos; Molly, que no começo era apenas a atiradora da nave do personagem principal, Rick Thunderbolt, logo foi promovida a protagonista.
 
O primeiro passo em busca de algo mais concreto foi realizar, em 2001, o curta “Molly: Star-Racer”. Criando o estúdio da Sav! The World dentro de sua própria casa e com a ajuda de  seus amigos, Savin e Thomas Romain (co-diretor e character designer da série) montaram um clipe que apresentava a piloto Molly e seu parceiro Jordan numa corrida desenfreada, embalados por uma empolgante música de Ayumi Hamasaki. Savin e sua equipe terminaram o clipe apenas um dia antes de inscrevê-lo no concurso em que pretendiam, mas seu esforço foi recompensado: o curta foi indicado a vários prêmios, ganhou o LEAF Awards (importante premiação europeia) e espalhou-se como fogo pela internet.
No entanto, Savin não conseguia encontrar investidores para o seu projeto. Todos os patrocinadores em potencial lhe exigiam a mesma coisa: que abrisse mão da personagem principal e a trocasse por um rapaz! Segundo os investidores, “meninos não assistem seriados com garotas como protagonistas, e meninas não assistem séries com naves espaciais”. Mas Savin não estava disposto a abrir mão de Molly, já que para que a trama fizesse sentido era essencial que ela fosse uma menina. Os patrocinadores não aceitavam as coisas de uma outra maneira, e Ōban parecia destinado a jamais sair do lugar.

Após um longo período de “nãos”, em 2003 Savin recebeu uma mensagem salvadora:  um convite do Japão, dos mesmos produtores dos animes Cowboy Bebop e Escaflowne, se dizendo interessados no projeto e oferecendo uma parceria. (Na verdade, era um comentário em uma página de internet de alguém que havia upado o vídeo de Molly Star-Racer!) Savin teve que suar para conseguir o email do “comentador”; quando conseguiu, confirmou ser o conhecido produtor de animes Minoru Takanashi. Depois de tantas portas fechadas, era uma notícia tão boa que Savin receava que fosse uma pegadinha!
Em vez de simplesmente enviar os roteiros dos episódios para serem animados no Japão, a equipe francesa fez questão de mudar-se para o o outro lado do mundo e trabalhar lado a lado com os artistas japoneses do estúdio Hal Film Maker para que a série saísse exatamente como havia sido planejada.  Savin conseguiu realizar até mesmo seu desejo de que a famosa compositora Yoko Kanno fosse a responsável pelos temas de abertura e encerramento, enquanto Taku Iwasaki cuidou das trilhas incidentais.
Ōban Star-Racers foi exibido em mais de 70 países através do canal Jetix, ganhou um artbook, e foi um marco para a animação (pouquíssimas séries feitas para a TV  ainda hoje  chegam a apresentar a mesma qualidade de Ōban, principalmente no quesito mix de CG com animação). Infelizmente, não recebeu a fama e reconhecimento que merecia; em alguns países, como o Brasil, a série não chegou a ser exibida até o seu final, para revolta dos espectadores. Aparentemente, o estilo único de traço e o fato de ser uma parceria entre França e Japão acabou por levantar estranhamento e preconceito, o que pode ter abafado as possibilidades de sucesso — além da óbvia falta de investimento em merchandising da própria Jetix, que sempre tratou a atração como algo “menor” no canal.
Aqueles que assistiram a série, porém, puderam comprovar a excelência da produção, e boa parte se tornou fã para toda vida.



Fonte: Projeto Oban 
- fonte que eles usaram: THE ART OF ŌBAN STAR-RACERS. Eiffel, Savin-Yeatman; Titan Books / Wikipedia / Revista Waribashi nº 6 (publicação portuguesa)




Post: Mymy-sama (ADM) 

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